domingo, 4 de abril de 2010

Nanotecnologia


A nanotecnologia é uma realidade cada vez mais próxima de nós. Muitas vezes não nos damos conta de quão próxima de nós ela está.

Entre os manufaturados que já passam por mudanças graças à nanotecnologia estão, por exemplo, os cosméticos mais eficazes, tecidos com funções antissépticas, sapatos com palmilhas bactericidas, filtros solares com maior tempo de proteção, remédios com maior poder de cura e máquina de lavar roupa que promete eliminar 99,9% das bactérias que se formam na sua cuba (estrutura onde as roupas são depositadas).

Essa lavadora é coberta por uma resina especial de polipropileno nanoestruturado com partículas de prata. Por enquanto, o polipropileno aditivado com nanopartículas de prata é aplicado apenas na linha de máquinas semi-automáticas. E até mesmo a Embrapa também tem aplicado a nanotecnologia na indústria alimentícia. Segundo o órgão ligado ao Ministério da Agricultura, o filme comestível é uma espécie de película nano extremamente fina que reveste frutas e legumes focando a sua conservação.

Um levantamento sumário nas publicações que circulam sobre nanotecnologia aponta para os seguintes produtos e serviços que estariam no mercado:

· Tecidos resistentes a manchas e que não amassam;

· Raquetes e bolas de tênis;

· Capeamento de vidros e aplicações antierosão a metais;

· Filtros de proteção solar;

· Material para proteção (screening) contra raios ultravioleta;

· Tratamento tópico de herpes e fungos;

· Nanocola, capaz de unir qualquer material a outro;

· Pó antibactéria;

· Diversas aplicações na medicina como cateteres, válvulas cardíacas, marca-passo e implantes ortopédicos;

· Produtos para limpar materiais tóxicos;

· Produtos cosméticos;

· Sistemas de filtração do ar e da água;

· Microprocessadores e equipamentos eletrônicos em geral.

Os maiores investidores em nanotecnologia são o Japão e os Estados Unidos. Os investimentos do setor privado, o envolvimento de grandes corporações americanas, como a Xerox, IBM e a HP, e de mega-empresas japonesas indicam que as aplicações pelo setor privado são superiores às do setor público.

Nesses países, os setores privado e público investem em áreas distintas da nanotecnologia. O setor privado, especialmente as empresas de alta tecnologia, tem direcionado seus esforços para a miniaturização dos componentes eletrônicos, ou seja, está na corrida para gerar sistemas computacionais de maior desempenho e mais compactos. Embora algumas empresas, como a Hewlett-Packard, Kodak e Xerox, já invistam em pesquisas de desenvolvimento de dispositivos moleculares, a nanotecnologia molecular, para se tornar competitiva, ainda depende do investimento do Estado.

O impacto na área cosmética é significativo: é possível, por exemplo, obter-se emulsões O/A ou A/O com tamanhos de partículas até mil vezes menor que as tradicionais (macroemulsões). Para termos idéia do que isso significa, uma macroemulsão possui de 100 a 1 μm; a nanoemulsão possui de 220 a 100 nm; uma microemulsão, de 100 a 10 nm; e uma solução micelar, de 10 a 1 nm.

Portanto, a base da nanotecnologia é a redução de partículas em escalas até mil vezes menores que na microtecnologia – medida utilizada atualmente, por exemplo, nos chips. Trata-se da construção de estruturas e materiais em escala nanométrica, em medidas equivalentes a 1 milímetro dividido por 1 milhão de vezes. A nanotecnologia permite a fabricação de produtos com características diferenciadas, porque modifica as propriedades dos materiais no nível atômico.

Nos cosméticos, são utilizados nanolipídeos de origem natural que encapsulam os princípios ativos, permitindo uma liberação controlada e prolongada na pele. Basicamente, são nanoestruturas lipídicas de origem fosfolipídica, de transporte seletivo e controlado; são análogos estruturais das membranas celulares que também são constituídas por fosfolipídeos. As principais vantagens é que aumentam a penetração de ingredientes ativos no substrato, seja na pele ou no cabelo, e diminuem os efeitos não desejados dos princípios ativos, como, por exemplo, a toxicidade.

A liberação do ingrediente ativo para o substrato é mais efetiva; existe a possibilidade de uma melhor distribuição no substrato; promove aumento da estabilidade físico-química e da solubilidade de ingredientes ativos; aumenta a permeabilidade através da pele, causando melhora da eficácia biológica dos ingredientes ativos.

Enfim, o mecanismo de ação dos nanocosméticos é bem simples: as nanopartículas carregam consigo os princípios ativos para as camadas mais profundas da epiderme. Penetram na pele através da camada córnea, formada por células mortas, que tem como função principal reduzir a perda de água da pele.

Depois, seguem pela camada granulada, que concentra queratina, substância responsável pela firmeza da pele. É nesse ponto que alguns ativos, como os ácidos e os nutrientes agem; já a camada espinhosa, que responde pela resistência cutânea, é quem recebe os ativos de ponta mais conhecidos do mercado. Quem efetivamente recebe os ativos nanosferizados é a camada basal, a mais profunda da pele. É aqui que os cremes melhoram a qualidade das células na sua formação, retardando o envelhecimento da pele.

Os ativos nanosferizados mais conhecidos são, sem dúvida, as vitaminas, mas é certo que ainda veremos muitos ativos tradicionais serem transformados em nanosferas. É uma realidade crescente para a indústria cosmética e é também uma realidade nas prescrições, pois, em tempo de globalização, os pacientes, com uma enorme gama de informações, solicitam esse tipo de ativo, sempre pensando na promessa de resultados mais rápidos e eficazes.



Fonte: Valéria Maria de Souza

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Papel do farmacêutico na sociedade

No ano de 1997, a Organização Mundial da Saúde, divulgou uma documentação sobre qualidades gerais que o farmacêutico deve possuir (The role of the pharmacist in the health care system - O papel do farmacêutico no sistema de atenção à saúde) Estas qualidades, em número total de 7, deu o nome ao profissional 7 estrelas, são elas:

  • Prestador de serviços farmacêuticos em uma equipe de saúde;
  • Capaz de tomar decisões;
  • Comunicador;
  • Líder;
  • Gerente;
  • Atualizado permanentemente;
  • Educador.

Assistência farmacêutica

assistência farmacêutica é um conceito que engloba o conjunto de práticas voltadas à saúde individual e coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial. São os farmacêuticos responsáveis por prestar o conhecimento do uso de medicamentos de forma racional.

A Resolução n° 338, de 6 de maio de 2004 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, diz que a assistência farmacêutica é conjunto de ações voltadas à promoção, à proteção, e à recuperação da saúde, tanto individual quanto coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial, que visa promover o acesso e o seu uso racional; esse conjunto que envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população.


Manipulação: alternativa para falta de alguns medicamentos

O trabalho do farmacêutico magistral também possibilita ao médico prescrever doses não disponíveis na indústria. Recorre-se à farmácia de manipulação, digamos, no tratamento de crianças que não toleram os medicamentos nas doses usuais. Além disso, a atuação do farmacêutico magistral pode ser importante para suprir uma falta na indústria

História

Inicialmente os farmacêuticos eram designados por boticários, ou seja, aqueles que trabalhavam em boticas. Sabe-se da existência de boticários em Portugal desde o século XII.

O primeiro diploma referente à profissão farmacêutica que se conhece em Portugal data de 1338. Reflectindo a importância do papel do boticário, Tomé Pires (c.1465 -1540), boticário de D. Manuel I, foi enviado para a Índia em 1511 como Feitor das Drogas em Cananor. A sua missão era analisar, seleccionar e adquirir as drogas orientais (muitas das especiarias tinham aplicações medicinais), destinadas às naus da Carreira da Índia no período dos descobrimentos. A 27 de Janeiro de 1516, Tomé Pires enviou de Cochim um Rol de Drogas onde descreve de forma pioneira a origem das drogas asiáticas e explica a situação geográfica e política das terras mencionadas. A sua informação terá sido a primeira que forneceu pormenores sobre a sua origem, enumerando algumas características de drogas tão diversas como aljôfar, o aloés, a alquitira, o âmbar, o bálsamo, o bedélio, o cátamo aromático, a canafístula, a canela, a cânfora, o carpobálsamo, a casa línea, a erva lombrigueira, a escamónes, o espiquenardo, o esquinanto, o estoraque liquido, a galanga, a goma arábica, as gomas fétidas, o incenso, espódio, o lápis-lizúli, o linaloés, os mirabólanos, a mirra, a múmia, o ópio, a palha-de-meca, os rubis, o ruibarbo, o sal amoníaco, a sarcacola, o sene, os tamarindos, o tincar, a turbite, o xilo e a zedoária. Tomé Pires teve o propósito de esclarecer o rei de Portugal sobre a geografia vegetal exacta dos produtos em que era perito, anotando a qualidade, a proveniência, o valor e a maneira de os obter e comercializar. Este objectivo foi amplamente concretizado na Suma Oriental que redigiu em Malaca e na Índia, entre 1512 e 1515. Destacou-se depois como o primeiro embaixador português na corte chinesa, sendo autor de Suma Oriental (1515), onde descreve as plantas, drogas medicinais do Oriente e além de aspectos medicinais E também exaustivamente todos os portos de comércio, de interesse potencial para os portugueses no Oceano Índico.