Entre os manufaturados que já passam por mudanças graças à nanotecnologia estão, por exemplo, os cosméticos mais eficazes, tecidos com funções antissépticas, sapatos com palmilhas bactericidas, filtros solares com maior tempo de proteção, remédios com maior poder de cura e máquina de lavar roupa que promete eliminar 99,9% das bactérias que se formam na sua cuba (estrutura onde as roupas são depositadas).
Essa lavadora é coberta por uma resina especial de polipropileno nanoestruturado com partículas de prata. Por enquanto, o polipropileno aditivado com nanopartículas de prata é aplicado apenas na linha de máquinas semi-automáticas. E até mesmo a Embrapa também tem aplicado a nanotecnologia na indústria alimentícia. Segundo o órgão ligado ao Ministério da Agricultura, o filme comestível é uma espécie de película nano extremamente fina que reveste frutas e legumes focando a sua conservação.
Um levantamento sumário nas publicações que circulam sobre nanotecnologia aponta para os seguintes produtos e serviços que estariam no mercado:
· Tecidos resistentes a manchas e que não amassam;
· Raquetes e bolas de tênis;
· Capeamento de vidros e aplicações antierosão a metais;
· Filtros de proteção solar;
· Material para proteção (screening) contra raios ultravioleta;
· Tratamento tópico de herpes e fungos;
· Nanocola, capaz de unir qualquer material a outro;
· Pó antibactéria;
· Diversas aplicações na medicina como cateteres, válvulas cardíacas, marca-passo e implantes ortopédicos;
· Produtos para limpar materiais tóxicos;
· Produtos cosméticos;
· Sistemas de filtração do ar e da água;
· Microprocessadores e equipamentos eletrônicos em geral.
Os maiores investidores em nanotecnologia são o Japão e os Estados Unidos. Os investimentos do setor privado, o envolvimento de grandes corporações americanas, como a Xerox, IBM e a HP, e de mega-empresas japonesas indicam que as aplicações pelo setor privado são superiores às do setor público.
Nesses países, os setores privado e público investem em áreas distintas da nanotecnologia. O setor privado, especialmente as empresas de alta tecnologia, tem direcionado seus esforços para a miniaturização dos componentes eletrônicos, ou seja, está na corrida para gerar sistemas computacionais de maior desempenho e mais compactos. Embora algumas empresas, como a Hewlett-Packard, Kodak e Xerox, já invistam em pesquisas de desenvolvimento de dispositivos moleculares, a nanotecnologia molecular, para se tornar competitiva, ainda depende do investimento do Estado.
O impacto na área cosmética é significativo: é possível, por exemplo, obter-se emulsões O/A ou A/O com tamanhos de partículas até mil vezes menor que as tradicionais (macroemulsões). Para termos idéia do que isso significa, uma macroemulsão possui de 100 a 1 μm; a nanoemulsão possui de 220 a 100 nm; uma microemulsão, de 100 a 10 nm; e uma solução micelar, de 10 a 1 nm.
Portanto, a base da nanotecnologia é a redução de partículas em escalas até mil vezes menores que na microtecnologia – medida utilizada atualmente, por exemplo, nos chips. Trata-se da construção de estruturas e materiais em escala nanométrica, em medidas equivalentes a 1 milímetro dividido por 1 milhão de vezes. A nanotecnologia permite a fabricação de produtos com características diferenciadas, porque modifica as propriedades dos materiais no nível atômico.
Nos cosméticos, são utilizados nanolipídeos de origem natural que encapsulam os princípios ativos, permitindo uma liberação controlada e prolongada na pele. Basicamente, são nanoestruturas lipídicas de origem fosfolipídica, de transporte seletivo e controlado; são análogos estruturais das membranas celulares que também são constituídas por fosfolipídeos. As principais vantagens é que aumentam a penetração de ingredientes ativos no substrato, seja na pele ou no cabelo, e diminuem os efeitos não desejados dos princípios ativos, como, por exemplo, a toxicidade.
A liberação do ingrediente ativo para o substrato é mais efetiva; existe a possibilidade de uma melhor distribuição no substrato; promove aumento da estabilidade físico-química e da solubilidade de ingredientes ativos; aumenta a permeabilidade através da pele, causando melhora da eficácia biológica dos ingredientes ativos.
Enfim, o mecanismo de ação dos nanocosméticos é bem simples: as nanopartículas carregam consigo os princípios ativos para as camadas mais profundas da epiderme. Penetram na pele através da camada córnea, formada por células mortas, que tem como função principal reduzir a perda de água da pele.
Depois, seguem pela camada granulada, que concentra queratina, substância responsável pela firmeza da pele. É nesse ponto que alguns ativos, como os ácidos e os nutrientes agem; já a camada espinhosa, que responde pela resistência cutânea, é quem recebe os ativos de ponta mais conhecidos do mercado. Quem efetivamente recebe os ativos nanosferizados é a camada basal, a mais profunda da pele. É aqui que os cremes melhoram a qualidade das células na sua formação, retardando o envelhecimento da pele.
Os ativos nanosferizados mais conhecidos são, sem dúvida, as vitaminas, mas é certo que ainda veremos muitos ativos tradicionais serem transformados em nanosferas. É uma realidade crescente para a indústria cosmética e é também uma realidade nas prescrições, pois, em tempo de globalização, os pacientes, com uma enorme gama de informações, solicitam esse tipo de ativo, sempre pensando na promessa de resultados mais rápidos e eficazes.
Fonte: Valéria Maria de Souza
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