domingo, 4 de abril de 2010

celulite



O termo "celulite" foi, durante muitos anos, utilizado pelos cirurgiões para designar afecções purulentas do tecido conjuntivo. E em 1920, Alquier e Paviot, médicos que residiam em Lyon, na França, pela primeira vez definiram a celulite como uma distrofia celular complexa, não inflamatória, do sistema mesenquimatoso, acompanhada de uma disfunção do metabolismo aquoso, causando uma saturação do tecido conjuntivo pelos líquidos intersticiais. Essa disfunção complexa é o resultado da resposta do tecido conjuntivo a uma agressão traumática, tóxica, infecciosa e, principalmente, em virtude de um distúrbio endócrino.

Dessa forma, fica claro que o termo foi erroneamente adotado para determinar uma disfunção hídrica e lipídica do tecido conjuntivo. Atualmente, o termo utilizado pela área de saúde é hidrolipodistrofia ginóide, principalmente por ser uma afecção predominantemente encontrada em mulheres. Outro nome cientificamente mais adequado é paniculopatia fibroedemato esclerótica; contudo, de nada adianta essas atualizações para designar a afecção, pois, em muitos casos, se não todos, se trata de um transtorno psicossocial para os pacientes, uma vez que o nome publicitário ‘celulite’ já foi adotado popularmente.

Não se consegue dissociar a celulite da obesidade ou, melhor dizendo, da gordura localizada, até porque, em três dos seus quatro estágios de evolução etiopatogênica, as células gordurosas estão intimamente envolvidas, do estímulo à síntese de gordura até a formação de macronódulo que comprime nervos e vasos, promovendo dor e anoxia ao tecido, e rompe macromoléculas de sustentação, promovendo flacidez.

O que se pode dizer de toda a evolução científica nesse segmento é que é no sistema endócrino em que encontraremos os grandes avanços para o equilíbrio bioquímico do metabolismo. O estímulo do AMPc leva a um aumento da quebra de gordura em ácidos graxos e glicerol por meio da ativação da enzima lipase. Receptores alfa-2 adrenérgicos, assim como a enzima fosfodiesterase, podem inibir o AMPc, e com isso aumentar a síntese de gordura no organismo e proporcionar um aumento da celulite.

De qualquer forma, outros hormônios também podem proporcionar esse efeito negativo, como, por exemplo, a insulina que aumenta a entrada de açúcar nos adipócitos; a prolactina que aumenta a retenção de água nos tecidos; e a adrenalina que, por um efeito de vasoconstrição, diminui o retorno de líquidos do tecido conjuntivo. Por outro lado, os hormônios androgênicos, formados pelas glândulas adrenais, ovários e testículos, são os grandes vilões nesse assunto. O mais importante androgênio é a dihidrotestosterona, originária da testosterona pela ação da enzima 5-alfa-redutase, por sua ação em receptores em todas as células do organismo. A testosterona pode ser considerada o segundo andrógeno em importância, porém da testosterona também podem se originar o estradiol e hormônios metabólitos derivados pela atividade da enzima aromatase P450, presente em vários órgãos.

Durante o processo de envelhecimento, os níveis de hormônios sexuais, andrógenos e estrógenos decaem significativamente, originando uma síndrome designada Síndrome de Deficiência Hormonal, que, no homem, é denominada andropausa e, na mulher, menopausa, sendo que ambos apresentam sintomas característicos. A queda da produção hormonal ocorre principalmente no nível das gônadas (testículo e ovário) e menos nas outras regiões produtoras, como no caso das glândulas adrenais. Em função disso, é rotina na clínica diária a reposição desses hormônios por via exógena com o objetivo de diminuir os sintomas associados à diminuição da produção endógena.

A diminuição da produção hormonal tanto no homem quanto na mulher ocorre nos dois tipos de hormônios, andrógenos e estrógenos. Segundo Dobs AS et al., o uso de reposição hormonal em mulheres utilizando andrógenos e estrógenos associados pode melhorar a composição corporal, força muscular, qualidade de vida e função sexual nas pacientes utilizando o produto ativo, estatisticamente diferente do placebo. Já segundo BHASIN S et al., o uso de suplemento de testosterona por homens idosos apresenta efeitos benéficos, melhorando a massa muscular e a performance sexual, bem como a qualidade de vida nos pacientes tratados.

Em função desses e de tantos outros artigos científicos sobre o mesmo tema, observou-se que um dos efeitos colaterais eram as lesões características na pele e no local da aplicação, com aparência anatômica semelhante à celulite. Após a interrupção desse tipo de tratamento, as lesões típicas da celulite desapareceram da pele dos pacientes, retornando a pele ao seu estado normal.

Estudos realizados a respeito do resultado do uso de testosterona na pele causando o efeito de lipodistrofia ginóide revelaram que ocorre em virtude da metabolização da testosterona via enzima aromatase P450, presente nos fibroblastos da camada da epiderme, que faz a transformação de testosterona em estrógenos.

A literatura técnica já ensina que os estrógenos têm vários efeitos no tecido adiposo, e, segundo Mizutani et al., foi demonstrada a presença de receptores de estrógenos no tecido adiposo de animais e humanos. Também O´Brien SN et al. descrevem que o tecido adiposo subcutâneo tem elevada quantidade de receptores de estrógenos.

Diante dos fatos, concluiu-se que o desenvolvimento da celulite ocorre em virtude de uma conversão da testosterona em estrógeno pela enzima aromatase p450 presente na epiderme, sendo que o estrógeno induz a alterações metabólicas, aumentando a espessura do tecido adiposo e levando ao aparecimento da lesão típica da celulite. Não é de outra forma que observamos muitas formulações de uso tópico e oral contendo substâncias ativas (pseudo-hormônios, suplementos, fitoterápicos, entre outros) com capacidade de inibir a atividade estrogênica periférica, seja por bloqueio total ou parcial de receptores de estrógenos ou por inibição da enzima aromatase P450.

A patente US 6.071.526, por exemplo, descreve um método para tratamento de celulite que compreende a aplicação tópica de uma substância que inibe a formação e/ou ação de estrógenos, melhorando, dessa forma, os distúrbios do tecido adiposo conectivo subcutâneo. As substâncias inibidoras de estrógenos segundo aquela invenção incluem, entre outros, inibidores de aromatase e inibidores de estrógenos. Como esta, existem outras patentes, inclusive brasileiras, sobre o mesmo tema.

Mediante tudo o que temos no arsenal científico, fica evidente que os produtos cosméticos são apenas auxiliares no tratamento desta afecção e que os estudos técnicos devem mostrar um futuro próspero com novos produtos dermatológicos e/ou endocrinológicos para o real tratamento da celulite, principalmente no que se refere a como fazer para a substância ativa chegar ao seu sítio de ação.



Fonte: Luiz Gustavo Martins Matheus

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Papel do farmacêutico na sociedade

No ano de 1997, a Organização Mundial da Saúde, divulgou uma documentação sobre qualidades gerais que o farmacêutico deve possuir (The role of the pharmacist in the health care system - O papel do farmacêutico no sistema de atenção à saúde) Estas qualidades, em número total de 7, deu o nome ao profissional 7 estrelas, são elas:

  • Prestador de serviços farmacêuticos em uma equipe de saúde;
  • Capaz de tomar decisões;
  • Comunicador;
  • Líder;
  • Gerente;
  • Atualizado permanentemente;
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Assistência farmacêutica

assistência farmacêutica é um conceito que engloba o conjunto de práticas voltadas à saúde individual e coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial. São os farmacêuticos responsáveis por prestar o conhecimento do uso de medicamentos de forma racional.

A Resolução n° 338, de 6 de maio de 2004 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, diz que a assistência farmacêutica é conjunto de ações voltadas à promoção, à proteção, e à recuperação da saúde, tanto individual quanto coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial, que visa promover o acesso e o seu uso racional; esse conjunto que envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população.


Manipulação: alternativa para falta de alguns medicamentos

O trabalho do farmacêutico magistral também possibilita ao médico prescrever doses não disponíveis na indústria. Recorre-se à farmácia de manipulação, digamos, no tratamento de crianças que não toleram os medicamentos nas doses usuais. Além disso, a atuação do farmacêutico magistral pode ser importante para suprir uma falta na indústria

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O primeiro diploma referente à profissão farmacêutica que se conhece em Portugal data de 1338. Reflectindo a importância do papel do boticário, Tomé Pires (c.1465 -1540), boticário de D. Manuel I, foi enviado para a Índia em 1511 como Feitor das Drogas em Cananor. A sua missão era analisar, seleccionar e adquirir as drogas orientais (muitas das especiarias tinham aplicações medicinais), destinadas às naus da Carreira da Índia no período dos descobrimentos. A 27 de Janeiro de 1516, Tomé Pires enviou de Cochim um Rol de Drogas onde descreve de forma pioneira a origem das drogas asiáticas e explica a situação geográfica e política das terras mencionadas. A sua informação terá sido a primeira que forneceu pormenores sobre a sua origem, enumerando algumas características de drogas tão diversas como aljôfar, o aloés, a alquitira, o âmbar, o bálsamo, o bedélio, o cátamo aromático, a canafístula, a canela, a cânfora, o carpobálsamo, a casa línea, a erva lombrigueira, a escamónes, o espiquenardo, o esquinanto, o estoraque liquido, a galanga, a goma arábica, as gomas fétidas, o incenso, espódio, o lápis-lizúli, o linaloés, os mirabólanos, a mirra, a múmia, o ópio, a palha-de-meca, os rubis, o ruibarbo, o sal amoníaco, a sarcacola, o sene, os tamarindos, o tincar, a turbite, o xilo e a zedoária. Tomé Pires teve o propósito de esclarecer o rei de Portugal sobre a geografia vegetal exacta dos produtos em que era perito, anotando a qualidade, a proveniência, o valor e a maneira de os obter e comercializar. Este objectivo foi amplamente concretizado na Suma Oriental que redigiu em Malaca e na Índia, entre 1512 e 1515. Destacou-se depois como o primeiro embaixador português na corte chinesa, sendo autor de Suma Oriental (1515), onde descreve as plantas, drogas medicinais do Oriente e além de aspectos medicinais E também exaustivamente todos os portos de comércio, de interesse potencial para os portugueses no Oceano Índico.